sexta-feira, 28 de abril de 2017

CMS-Recife realiza Conferência Livre sobre Saúde das Mulheres

      “Participação Social na conquista das Políticas de Saúde da Mulher”. Esse foi o tema da Conferência Livre que o Conselho Municipal de Saúde (CMS) do Recife realizou no último dia 26 de abril. Sob a mediação da vice-coordenadora do CMS-Recife, Keila Tavares, o seminário foi um momento de empoderamento feminino. “Planejamos, a princípio, um seminário para debater sobre a Política Nacional da Mulher e para fomentar a discussão que serviria de subsídio para elaboração de propostas que serão encaminhadas a macrorregional da etapa estadual da 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres”, disse. "Mas, notamos que, como estávamos discutindo os eixos da conferência nacional, fomos além do proposto e acabamos realizando uma Conferência Livre reconhecida pelo Conselho Nacional de Saúde que se fez presente pela coordenadora da referida conferência", finaliza. 
       Tendo como objetivo discutir a importância de espaços para debater sobre a saúde da mulher, o seminário também serviu como uma forma de empoderar as mulheres sobre os seus direitos, além de mostrar os desafios enfrentados por elas.
     Um grande diferencial do seminário foi uma participação expressiva de movimentos sociais dentro do debate proposto pelo Conselho. “É sempre um prazer para o CMS-Recife proporcionar atividades como esta, que fogem um pouco da nossa rotina, mas que são imprescindíveis para o fortalecimento do SUS”, pondera Keila. “A pluralidade de entidades e a participação da sociedade nesse espaço foi outro ponto que vale destacar”, avalia, ao mencionar que o seminário contou com representações de movimentos sociais, de terreiros, fóruns de mulheres, das políticas de saúde da mulher, entre outros.
A conselheira Nacional de Saúde, Carmem Lúcia Luiz, falou do movimento feminista
e da importância da realização da 2a Conferência Nacional de Saúde das Mulheres
    Convidada para palestrar, a conselheira Nacional de Saúde, Carmem Lúcia Luiz, coordenadora da 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres, fez um resgate histórico da luta das mulheres por espaços que discutam sobre sua saúde e da dificuldade que foi convocar a referida Conferência. “A última conferência voltada para a saúde da mulher foi há 30 anos atrás, em 1986, ou seja, estamos esse tempo todo sem debater, em profundidade, a saúde da mulher e precisamos fazer isso”, conta. “A necessidade de realizar a 2ª Conferência surgiu desse legado de desgraça que vem assolando as mulheres, onde conseguimos sensibilizar o CNS para fazer essa convocação. Precisamos resistir e persistir”, finaliza.
"Temos que discutir a mulher na transversalidade da saúde", disse Rivânia Rodrigues
ao debater sobre a vulnerabilidade e equidade na vida das mulheres
      A conselheira Municipal de Saúde, Rivânia Rodrigues, membro integrante da mesa de debate, falou da “vulnerabilidade e equidade na vida e na saúde das mulheres”, que é um dos eixos da 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres. "Tivemos a oportunidade de fazer uma reflexão acerca do que vivenciamos diariamente com o encolhimento no investimento da saúde para tratar de questões como a saúde da mulher", disse. Além disso, Rivânia conta que as conferências devem inserir todos os modelos de mulheres, sejam, negras, quilombolas, lésbicas, transsexuais, etc. "Temos que discutir a mulher na transversalidade da saúde, ou seja, existem vários tipos de mulheres e precisamos achar meios para que todas elas sejam contempladas", ressalta.
      Rivânia também relembrou os mecanismos que o município do Recife possui para o atendimento à saúde da mulher. "Ter o ambulatório LBT no Hospital da Mulher é um grande avanço para essa população. Além disso, contamos com espaços que foram criados para cuidar dessas mulheres que sofrem algum tipo de problema como é o caso do Centro Sony Santos que atende mulheres vítimas de qualquer tipo de agressão", finaliza.
Lindinere abordou as consequências na vida e na saúde das mulheres.
        Falando sobre “O mundo do trabalho e suas consequências na vida e na saúde das mulheres”, a enfermeira e representante do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado de Pernambuco (SINDSEP/PE), Lindirene Ferreira, deixou sua contribuição na discussão. “É preciso ficarmos atentas às políticas para a construção de estratégias que empoderem as mulheres e não regridam nossos direitos tão arduamente conquistados”, disse. “E o Controle Social não é só fiscalizar, é estar perto e colocar para o governo as dificuldades que precisam melhorar”, finaliza.

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