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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Conferência de Saúde discute Democracia e Saúde como direito

   Mais de 400 delegados(as), entre usuários, trabalhadores de saúde, gestores e prestadores de serviços, entoaram o desejo de melhorias para o Sistema Único de Saúde (SUS) e fizeram valer seus papeis de defensores do Controle Social durante a 14ª Conferência Municipal de Saúde do Recife que aconteceu nos dias 28 e 29 de março no Centro de Convenções, em Olinda/PE.
     Recepcionados pelo grupo cultural Afoxé Omó Obé Dê e acolhidos pela professora de Educação Física do Programa Academia da Cidade, Liana Lisboa, que promoveu um momento de energização aos presentes, os(as) delegados(as) e observadores participantes desta etapa municipal da 16ª Conferência Nacional de Saúde (8ª +8) se prepararam para o início da Conferência que este ano teve como tema central: 'Democracia e Saúde: Saúde como Direito e Consolidação e Financiamento do SUS'.
      "Esse é o nosso processo contínuo, de uma construção coletiva pelo Sistema de Saúde Pública Universal e Integral que atenda as necessidades e os anseios da nossa população que tanto precisa", disse o coordenador do CMS-Recife, Cristiano Nascimento, no ato de abertura. "A Conferência é o ápice do Controle Social, sendo de uma grande responsabilidade e alegria estar fazendo parte pelo Conselho Municipal de Saúde, além de firmar uma posição e não permitir retrocesso de forma alguma", continua.
       Para Cristiano, esse é o perfeito exemplo de democracia e de resistência da população recifense. "Neste contexto nacional que estamos inseridos, é o momento de olharmos um para o outro e nos unirmos, precisamos estar juntos neste processo. Precisamos entoar: 'Ninguém solta a mão de ninguém'", finaliza.
      Além de Cristiano, participaram da mesa de abertura o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, a representante da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco, Lidiane Gonzaga, o representante do Conselho Nacional de Saúde, Jair Brandão, e a representante do Conselho Estadual de Saúde, Rosely Arantes.
       O Conselheiro Nacional de Saúde, Jair Brandão, também reforçou o sentimento de luta e perseverança. "Nós somos a resistência neste momento, sem a nossa presença o SUS não resistirá. Hoje, a resistência é a ordem do dia, precisamos insistir e resistir. Estamos vivenciando um tempo das lutas sob medidas, que representam retrocesso na pauta econômica e nos direitos sociais e individuais", ressaltou o conselheiro.
       Já o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, ressaltou as tradições populares e históricas das Conferências de Saúde em Recife. "Esperamos, mais uma vez, que a voz do Recife seja ouvida na Conferência Estadual e que a voz do Recife precisa ser levada a todas as esferas que ligam a Conferência Municipal de Saúde", destacou. "Temos que dar as mãos e construir em cima do nosso denominador comum um caminho para o futuro que, no mínimo, nós possamos resistir e buscar avançar", finaliza.
      Ainda dentro da solenidade de abertura, houve um momento para explanação do tema central da Conferência, feito pelo professor da UFPE, Itamar Lages. “A ideia de saúde como direito não é forte entre nós. Precisamos entender que todos devemos ter sim saúde como direito. Gestores públicos e gestores conveniados ao SUS do Recife, vocês precisam fazer a seguinte pergunta: Como podemos politizar a relação com o usuário? Fazer ele entender que a saúde é um direito e não uma obrigação que estamos fazendo com eles”, enfatiza.
      Para Itamar, esse é um momento de unir forças. “A luta neste momento é Recife ecoar na macrorregional, é uma luta para dizer que apoiamos aquela carta dos Governadores do Estado, dizer não a Emenda Constitucional 95, dizer não a PEC da desvinculação. Essa Conferência precisa aprovar todas essas coisas. Precisamos sair juntos neste grande movimento”, clama.
    Ao logo dos dois dias, os participantes da 14º Conferência foram divididos em oito grupos, onde debateram assuntos como Fortalecimento da Atenção Primária; Média e Alta Complexidade; Investimentos em Saúde; Vigilância em Saúde; Controle Social; Assistência Farmacêutica; Financiamento do SUS; e Gestão Estratégica e Participativa na Saúde. Cada grupo priorizou, ao todo, 15 propostas, divididas nos âmbitos Regional, Estadual e Nacional.
     Agora, as mais de 120 propostas aprovadas servirão de subsídio para a etapa Macrorregional da 9ª Conferência Estadual de Saúde de Pernambuco que acontece nos dias 23 e 24 de abril, no Centro de Convenções de Pernambuco.

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